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As obras de requalificação do Cine-Teatro Alba arrancaram há pouco tempo, mas a Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha já está a planear a estratégia cultural do Município que estará associada ao principal espaço da Vila, cuja reabertura está prevista para 2012. Nos últimos dois meses, têm sido organizados alguns workshops/ conferências com especialistas na área, envolvendo colectividades, técnicos de planeamento e de animação cultural, autarcas e outros agentes locais, com o objectivo de envolver a comunidade na definição de um projecto que se quer sólido e relevante para a realidade Albergariense.
Isabel Reis, consultora nas áreas de serviço educativo e programação cultural, desenvolveu a temática dos “Projectos Educativos destinados à Comunidade”, ajudando os participantes a desenvolverem ideias que contagiem os munícipes e que estejam agregados a importantes eventos. Na concepção e implementação de acções de formação de novos públicos, Isabel Reis considera ser fundamental envolver vários parceiros e procurar inspiração noutros projectos de qualidade, com “provas dadas” no terreno.
Da visão particular para uma perspectiva mais abrangente, João Aidos, director artístico e programador cultural, apresentou um workshop sobre o “Planeamento Cultural de Cidade”. Partindo de casos práticos que acompanhou, nomeadamente nas cidades de Aveiro, Faro e Torres Novas, João Aidos afirmou que um Cine-Teatro tem de estar articulado com outros espaços do município e que tem de haver uma estratégia concertada de comunicação. A criação de pontes entre os artistas e o público é fundamental para a criação de novos públicos e, na sua opinião, a “contaminação” dos munícipes passa, muitas vezes, pelo envolvimento das “pessoas – chave” da comunidade.
Mas será que a cultura pode ser a “âncora” de um Município? Carlos Martins, Director de Projecto de “Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura” acredita que sim. Com a desindustrialização das cidades, muitos edifícios, armazéns e fábricas ficaram ao abandono; mas estes podem ser convertidos em novos espaços culturais e de produção artística. Surge, assim, o conceito de “cidade criativa”, onde as actividades com origem na criatividade e no talento se transformam num importante sector da sociedade, com mais-valias económicas. Na verdade, para Carlos Martins, a atracção e retenção de talentos deve ser a nova função das cidades, que podem ter aqui um vital factor de competitividade com os outros municípios, com repercussões também no turismo.
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