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No âmbito das Comemorações do Centenário da Implantação da República, o Arquivo Municipal de Albergaria-a-Velha, na manhã de 27 de Março, foi palco da Jornada Cultural “A Fundação Eça de Queiroz e a República”, que contou com a presença da Especialista em Literatura Portuguesa e Ex-Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, e o Musicólogo e Ex-Secretário de Estado, Mário Vieira de Carvalho.
Citando Alexandre Herculano que em 1867 afirmou “Isto dá vontade de morrer!”, Isabel Pires de Lima sintetizou o espírito de decadência que assolava a sociedade portuguesa no período anterior à República e que foi tema recorrente nas obras literárias da época. Foi nos meios intelectuais, especialmente nas Universidades, que a palavra Revolução começou a estar na ordem do dia mas, apesar de todos acreditarem na necessidade de mudança, não se pode falar de uma homogeneidade na literatura do período histórico da República… Bem pelo contrário! Entre 1870 e o Estado Novo, houve uma confluência de tendências estéticas, tais como o realismo, o naturalismo, o romantismo social, ou o simbolismo, que não permitiram a construção de uma unidade cultural. No entanto, apesar de opiniões divergentes, há momentos de congregação como, por exemplo, na revolta contra o Ultimato de 1890, que fez crescer o sentimento patriótico e a necessidade de regenerar o País, que culminaria na queda do regime monárquico, a 5 de Outubro de 1910.
A literatura, desta época, espelhava o marasmo da sociedade portuguesa e os concertos e outros eventos ligados à música eram um tema recorrente nas obras publicadas. Na verdade, tal acontecia porque a cultura musical era quase inexistente. Segundo Mário Vieira de Carvalho, Portugal estava completamente à margem das grandes representações de ópera que decorriam noutros países europeus. Enquanto nestes já havia óperas traduzidas para a língua nacional e salas de concertos específicas para a fruição da música, em Portugal, continuava-se a insistir na ópera italiana e a associar a música a cerimónias específicas (da corte, religiosas, etc..). No final do século XIX, não se ia ao Teatro S. Carlos, em Lisboa, para desfrutar da música, mas sim, para dar um passeio: entrava-se e saia-se da sala no meio do concerto, falava-se com amigos, lia-se o jornal e até se interrompia o espectáculo quando a família real chegava. Por outras palavras, o que se passava no palco era o menos importante! No entanto, nas vésperas da República, com a representação de “O Anel de Nibelungo”, foram instituídas novas regras, que vieram impor um maior respeito na sala, ou seja, o público subordinava-se, agora, ao concerto e não o contrário. Após a República, o paradigma da arte como entretenimento dava lugar ao paradigma da arte como educação.
A Jornada Cultural “A Fundação Eça de Queiroz e a República” foi uma organização da Câmara Municipal e do Arquivo Municipal de Albergaria-a-Velha, com a pareceria da Fundação Eça de Queiroz”.
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